quinta-feira, 8 de outubro de 2015

PLANEJAMENTO HORIZONTAL

                                         GOVERNO DO ESTADO DO ACRE
SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO E ESPORTE
ESCOLA ROSAURA MOURÃO DA ROCHA
FORMAÇÃO CONTINUADA

DADOS GERAIS
 FORMADOR (A):
ENSINO FUNDAMENTAL II
TEMPO PREVISTO: 04h

CAPACIDADES/OBJETIVOS

  Ampliar e aperfeiçoar o conhecimento dos professores, na área de avaliação e recuperação da aprendizagem.
  Refletir sobre a construção de instrumentos avaliativos dos alunos com necessidades educativas especiais;
  Analisar o resultado do rendimento do primeiro bimestre;
  Vivenciar situações problemas do cotidiano escolar.

ExpectativaS de aprendizagens/ CONTEÚDOS DE DIFERENTES TIPOS

- Situações – problemas do cotidiano escolar sobre Avaliação/Recuperação;
-Instrumentos avaliativos dos alunos com necessidades educativas especiais;
- Exibição do vídeo – O que é avaliação?
- Discussão no grupo sobre o vídeo.

RECURSOS

ü  Papel cartão;
ü  E.V.A.;
ü  Notebook;
ü  Projetor de imagens;
ü  Papel A4;
ü  Textos.

SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM

ü  Acolhida – será realizada através da projeção de um vídeo que retrata o cotidiano de um professor, intitulado: O que é ser professor hoje?

ü  Apresentação dos objetivos e conteúdos da formação;

ü  1º Atividade
Explanação da coordenadora do AEE sobre os instrumentos avaliativos dos alunos com necessidades educativas especiais.



ü  2º Atividade
Para iniciar será distribuído aos professores tarjetas como: O que é avaliar? Para que avaliar? Como e quando avaliar? Quem é avaliado? E solicitar que registrem suas concepções em um papel e socialize com a turma. Pregar em um mural.

ü  Exibição do vídeo – O que é avaliação?
ü  Reflexão dos questionamentos levantados antes da exibição do vídeo e sistematização do resultado embasado no vídeo.
ü  Apresentação em slide sobre o resultado dos questionamentos levantados antes de vídeo.

ü  3º Atividade
Trabalhar o texto o caso de Miguel
01. Dividir a turma em cinco equipes para discussão do Estudo de Caso de Miguel. (Para essa divisão serão utilizadas as cores de borboletas da ponta do lápis deixado na carteira.)
02. Cada equipe recebe um relato e responde a questão por escrito.
03. Após o relato de cada personagem, perguntem para a turma.
-Quem é Miguel de acordo com o que acabamos de escutar?                                       
-Miguel é muito problemático?
-O que está acontecendo com Miguel?
-Depois de apresenta a versão de Miguel para os fatos, perguntem qual a razão das pessoas terem uma visão diferente de Miguel?
Aguardem as respostas.
- Depois, questione: Nós também estamos julgando os nossos alunos? Somos também julgados por eles? Eu nesse momento estou sendo julgada por vocês?


Grupo 01- De sua Mãe
Miguel levantou-se correndo, não quis tomar café e nem ligou para o bolo que eu havia feito especialmente para ele. Só apanhou o maço de cigarros e a caixa de fósforos. Não quis colocar o cachecol que eu lhe dei. Disse que estava com pressa e reagiu com impaciência a meus pedidos para se alimentar e abrigar-se direito. Ele continua sendo uma criança que precisa de atendimento, pois não reconhece o que é bom para si mesmo.
Após esse relato, como a equipe percebe Miguel?



Grupo 02- Do garçom da boate
Ontem à noite ele chegou aqui acompanhado de uma morena, bem bonita por sinal, mas não deu a mínima bola para ela. Quando entrou uma loura de vestido colante, ele me chamou e queria saber quem era ela. Como eu não conhecia, ele não teve dúvidas: levantou-se e foi até a mesa falar com ela. Eu disfarcei, mas só pude ouvir que ele marcava um encontro, às 9 da manhã, bem nas barbas do acompanhante dela. Sujeito peitudo!
Após esse relato, como a equipe percebe Miguel?



 Grupo 03- Do motorista de táxi
Hoje de manhã, apanhei um sujeito e não fui com a cara dele. Estava de cara amarrada, seco, não queria saber de conversa. Tentei falar sobre futebol, política, sobre o trânsito e ele sempre me mandava calar a boca, dizendo que precisava se concentrar. Desconfio que ele é daqueles que o pessoal chama de subversivo, desses que a polícia anda procurando ou desses que assaltam motorista de táxi. Aposto que anda armado. Fiquei louco para me livrar dele.
Após esse relato, como a equipe percebe Miguel?


 Grupo 04- Do zelador do edifício
Esse Miguel, ele não é certo da bola, não! Às vezes cumprimenta, às vezes finge que não vê ninguém. A conversa dele a gente não entende. É parecido com um parente que enlouqueceu. Hoje de manhã, ele chegou falando sozinho. Eu dei bom-dia e ele me olhou com olhar estranho e disse que tudo no mundo era relativo, que as palavras não eram iguais para todos, nem as pessoas. Deu um puxão na minha gola e apontou para uma senhora que passava. Disse, também, que quando pintava um quadro, aquilo é que era a realidade. Dava risadas e mais risadas... Esse cara é um lunático.
Após esse relato, como a equipe percebe Miguel?


Grupo 05- Da faxineira
 Ele anda sempre com um ar misterioso. O quadro que ele pinta a gente não entende. Quando ele chegou, na manhã de ontem, me olhou meio enviesado.
Tive um pressentimento ruim, como se fosse acontecer alguma coisa ruim. Pouco depois chegou a moça loira. Ela me perguntou onde ele estava e eu disse. Daí a pouco ouvi ela gritar e acudi correndo. Abri a porta de supetão e ele estava com uma cara furiosa, olhando para ela cheio de ódio. Ela estava jogada no divã e no chão tinha uma faca. Eu saí gritando: Assassino! Assassino!
Após esse relato, como a equipe percebe Miguel?



RELATO DO PRÓPRIO MIGUEL SOBRE O OCORRIDO NESSE DIA
Eu me dedico à pintura de corpo e alma. O resto não tem importância. Há meses que eu quero pintar uma Madona do século XX, mas não encontro uma modelo adequada, que encarne a beleza, a pureza e o sofrimento que eu quero retratar. Na véspera daquele dia, uma amiga me telefonou dizendo que tinha encontrado a modelo que eu procurava e propôs nos encontrarmos na boate. Eu estava ansioso para vê-la. Quando ela chegou, fiquei fascinado; era exatamente o que eu queria. Não tive dúvidas. Já que o garçom não a conhecia, fui até a mesa dela, me apresentei e pedi para ela posar para mim. Ela aceitou e marcamos um encontro no meu ateliê às horas da manhã.
 Eu não dormi direito naquela noite. Me levantei ansioso, louco para começar o quadro, nem pude tomar café, de tão afobado. No táxi comecei a fazer um esboço, pensando nos ângulos da figura, no jogo de luz e sombra, na textura, nos matizes... Nem notei que o motorista falava comigo.
 Quando entrei no edifício, eu falava baixinho. O zelador tinha falado comigo e eu nem tinha prestado atenção. Aí, eu perguntei: o que foi? E ele disse: bom-dia! Nada mais do que bom-dia. Ele não sabia o que aquele dia significava para mim. Sonhos, fantasias e aspirações... Tudo iria se tornar real, enfim, com a execução daquele quadro. Eu tentei explicar para ele que a verdade era relativa, que cada pessoa vê a outra à sua maneira. Ele me chamou de lunático. Eu dei uma risada e disse: está aí a prova do que eu disse. O lunático que você vê, não existe.
 Quando eu pude entrar, dei de cara com aquela velha mexeriqueira. Entrei no ateliê e comecei a preparar a tela e as tintas. Foi quando ela chegou. Estava com o mesmo vestido da véspera e explicou que passara a noite em claro, numa festa. Aí eu pedi que sentasse no lugar indicado e que olhasse para o alto, que imaginasse inocência, sofrimento... que... Aí ela me enlaçou o pescoço com os braços e disse que eu era simpático. Eu afastei seus braços e perguntei se ela tinha bebido. Ela disse que sim, que a festa estava ótima, que foi pena eu não ter estado lá e que sentiu minha falta. Enfim, que estava gostando de mim. Quando ela me enlaçou de novo eu a empurrei e ela caiu no divã e gritou.
 Nesse instante a faxineira entrou e saiu berrando: Assassino !!!  Assassino ! ! !
A loira levantou-se e foi embora. Antes, me chamou de idiota.
Então, eu suspirei e  disse: ah, minha Madona!

 ü  4º Atividade
ü  Apresentação do slide avaliação do Ensino aprendizagem na escola - PPP

ü  5º Atividade

SITUAÇÕES DE APRENDIZAGENS ENVOLVENDO DRAMATIZAÇÕES AVALIATIVAS
Nesse momento, a turma será dividida em três equipes. Para dividi-los serão utilizadas as frases que serão pregadas antes do inicio da formação abaixo da carteira, nesse momento solicite que os professores verifiquem qual a frase está pregada na sua carteira e juntem-se os que possuírem a mesma frase, assim estarão formadas as equipe.Feito isso, será entregue para cada uma das três equipes um texto/comando com diferentes situações referentes à avaliação. As equipes terão um momento para analisarem suas atribuições e se organizarem para as apresentações através de estratégias de aprendizagens. 


Grupo 01- A equipe deverá ler o texto e depois dramatizá-lo. Em seguida, deve coordenar um debate com os outros participantes, levando em consideração:
Ø Que crítica o autor faz sobre as avaliações que acontecem na escola?
Ø O professor Marcelo deveria ter passado por cima do regimento da escola?
Ø O professor deveria ter formas diferentes de avaliar o aluno?
Ø Marcelo pecou em sua avaliação? Como?
Ø Como são as aulas de Marcelo?
Ø Se Marcelo avaliasse Luisinho levando em consideração o que ele aprendeu (é isso que importa) quem ensinaria Luisinho a elaborar uma dissertação?

Ø Sabemos que o professor também tem o dever de preparar o aluno para o mercado de trabalho, como considerar diversos métodos avaliativos, sendo que vai ser cobrado ao aluno (caso ele queira fazer um concurso público) um único método avaliativo?

ü Texto: “O Luisinho da segunda fila”, de Celso Antunes
Marcelo é um excelente professor de Geografia. Na aula sobre o Pantanal até excedeu-se. Falou com entusiasmo, relatou com detalhes, descreveu com precisão. Preencheu a lousa com critério, soube fazer com que os alunos descobrissem na interpretação do texto do livro a magia dessa região quase selvagem. Exibiu um vídeo, congelou cenas e enriqueceu-as com detalhes, com fatos experimentados, acontecimentos do dia-a-dia de cada um.
            Em sua prova, é evidente, não deu outra: uma redação sobre o tema e questões operatórias que envolviam o Pantanal, seus rios, suas aves, sua vegetação... a planície imensa. Os alunos acharam fácil. Apanharam suas folhas e começaram a trazer, palavra por palavra, suas imagens para o papel. As canetas corriam soltas e as linhas transformavam-se em parágrafos. Marcelo sabia o quanto teria que corrigir, mas vibrava... Sentia que os alunos aprendiam. Descobria o interesse que sua ciência despertava. Não pôde conter uma emoção diferente quando Heleninha, sua aluna predileta, foi até sua mesa e arfante solicitou:
- Posso pegar mais uma folha em branco?
O único ponto de discórdia, o único sentimento opaco que aborrecia Marcelo, era o Luizinho, aquele da segunda fila. – Puxa vida! – pensava – Luizinho assistira às suas aulas, arregalara os olhos com as explicações e agora, na prova, silêncio absoluto, imobilidade total... Nem sequer uma linha. Sentiu ímpetos de esganar. Luizinho pagaria seu preço, iria certamente para a recuperação. Se duvidassem poderia, até mesmo, levá-lo à retenção. Seria até possível arrancar um ano inteirinho de sua vida...
Minutos depois, avisou que o tempo estava terminado. Que entregassem suas folhas. Viu então que, rapidamente, Luisinho desenhou, na primeira página das folhas da prova, o Pantanal. Rico, minucioso, preciso. Marcelo emocionou-se, ao ver aquele quadro, de irretocável perfeição, nas mãos de Luizinho que coloria as últimas sobras. Entusiasmado indagou:
- E aí, Luis? Você já esteve no Pantanal?
Não. Luizinho jamais saíra de sua cidade. Construiu sua imagem a partir das aulas ouvidas. Marcelo sentiu-se um gigante e, de repente, descobriu-se o próprio Piaget. Havia com suas palavras construído uma imagem completa, correta e absoluta na mente de seu aluno.
Mas, deu zero pela redação. É claro. Naquela escola não era permitido que se rabiscassem as folhas da prova.
A história de Luizinho repete-se em muitas escolas.
Sua Inteligência pictórica é imensa, colossal, lúcida, clara e contrasta visivelmente com as limitações de sua competência verbal. Expressou o que sabia, da maneira como conseguia. Mas, não são todos os professores que se encontram treinados para ouvir linguagens diferentes da que a escola instituiu como única e universal.


(Trecho do Livro Marinheiros e Professores, 6a ed., Petrópolis, Vozes, 2000, p. 72-73, Celso Antunes




Grupo 02- A equipe deverá ler o texto e apresentá-lo para a turma. Em seguida, os professores irão refletir sobre os questionamentos abaixo:
Ø O que fazia da professora Glória uma extraordinária professora?
Ø Quais são as diferenças entre avaliação circunstancial e reflexiva?
Ø Que princípios norteavam a prática da professora Glória?
Ø A insatisfação que a professora Glória sentia no seu lindo trabalho era perceber que seus colegas não tinham a mesma visão que ela sobre avaliação da aprendizagem. Vocês já vivenciaram algum tipo de desconforto ao trabalhar a avaliação na sua escola?
Ø O erro do aluno é um saber que ele possui, construído de alguma forma, e é necessário elaborar intervenções didáticas que desestabilizem suas certezas, levando-o a um questionamento sobre as suas respostas. Você concorda que a análise de erros também pode ser entendida como uma metodologia de ensino e se bem explorados e aproveitados podem ser utilizados como ferramentas para a aprendizagem?

ü Texto: Glória, de Celso Antunes
GLÓRIA
                Extraordinária professora, grande avaliadora da aprendizagem de seus alunos.
                Glória, professora em três escolas particulares de excelente padrão, como a maior parte das pessoas que conhecia adorava se avaliar. Não que fosse vaidosa, mas sabendo o valor de uma boa impressão, jamais saía de casa sem se cuidar diante do espelho, na seleção das roupas e no cuidado com calçados e tudo mais essencial a quem sempre foi elegante. Mais ainda, Glória não saia de casa sem avaliar se portas e janelas estavam trancadas, se os eletrodomésticos estavam desligados e não havia descuido das coisas no lugar que deveriam estar. Avaliava também seu automóvel, dirigia com cuidado avaliando manobras, caminhos e distâncias e, ao chegar à escola, avaliava sem nem mesmo perceber que avaliava seus diários de classe, seus livros e, é claro, seus colegas e suas amigas. Como não abria mão da importância de persistente e contínua avaliação, avaliava também seus alunos.
                Nunca confundia “prova” com “avaliação”, pois sabia que a mesma era circunstancial e a avaliação atitude reflexiva, consciente e permanente. Mostrava a todos que não existe educação verdadeira que não se preocupa com o progresso de seus alunos e nesse sentido mostrava-se menos preocupada com resultados numéricos deste ou daquele e bem mais com sua evolução, ainda que lenta e progressiva, ao estudar, fazer tarefas, trabalhar em grupo, apresentar lições, enfim, participar plenamente das aulas. Orgulhava-se, sem qualquer presunção, de que não bastava ser boa professora, mas era essencial ser também uma professora completa e isso incluía avaliar continuamente e avaliar muito bem.
Para não esquecer todos os princípios de deveriam nortear a avaliação que fazia, criou algo como um acróstico, fazendo com que cada uma das cinco letras de seu primeiro nome a lembrasse dos critérios com que aferia, um a um, o progresso de seus alunos.
   Por esse motivo, com a letra “G” de Glória destacava que toda avaliação deveria ser “Global” e, dessa forma, acompanhar os avanços ou recuos de cada aluno, seus interesses e suas motivações. Com a letra “L” esforçava-se muito para produzir uma avaliação “Libertadora”. Dizia sempre que “progredir é se libertar” e que não pode existir liberdade verdadeira para quem não cresce com os conteúdos conceituais que domina e os incorpora ao seu cotidiano, com as competências que na escola se aprendia para na vida exercer e para as habilidades com as quais se emoldura essas competências. Lembrava que as competências essenciais eram “saber fazer, decidir e resolver” e que estas requeriam habilidades que davam qualidade e requinte a esses verbos.
Com terceira letra de seu nome “O” Glória buscava sempre que seus critérios de avaliação fossem “Otimistas” e, por isso mesmo, buscava em todas as linguagens de seus alunos a sua prosperidade, verdadeiramente “garimpava” em suas ações nos textos, nos discursos, nas aulas, nas provas e nas lições a sempre almejada evolução. Sabia que uma avaliação Global, Libertadora e Otimista inevitavelmente desembocaria em uma avaliação “Reveladora” dessa forma contemplando a quarta letra do seu nome. Uma avaliação com essa essência buscava pontos fracos para mudar, falhas ainda que pequenas para aprimorar. Um cuidado que Glória jamais omitia era que seus alunos pudessem dispor de avaliação “Integradora” e assim olhava com cuidado a diversidade culturas da classe, a bagagem linguística que traziam e, sobretudo, sua situação de aluno novo ou antigo, integrado aos colegas ou em busca ansiosa dessa integração.
Glória jamais deixou de estudar o tema da avaliação e não havia artigo ou tese, livro ou ensaio que não buscasse procurando sempre associar cada descoberta às letras de seu acróstico. Sabia que sua avaliação era verdadeiramente “Apaziguadora” e, por isso, seus alunos a recebiam sem medo, anseio ou tensões, antes descobrindo em cada erro não a vergonha, mas a busca de acerto.
A única tristeza de Glória em seu lindo trabalho era perceber que em alguns de seus colegas a preocupação avaliadora se distanciava do cuidado pedagógico, acreditando apenas em provas e em resultados como se cada aluno representasse quase nada a mais que um bilhete de loteria.

Celso Antunes



Grupo 03- A equipe deverá ler o texto e apresentá-lo para a turma de forma dinâmica. Em seguida, o grupo irá elaborar sua resposta para a carta de Clarice, considerando suas concepções e práticas sobre avaliação e aprendizagem e expor para a turma.
Campos do Serrano, ... de outubro de 1998.
     Oi, Emilia, como vai?
     Eu vou indo muito bem, apesar de ouvir reclamações constantes do marido e dos
filhos por causa do meu envolvimento com o trabalho. Eles dizem que dou mais atenção à escola que a eles - e é assim mesmo: o trabalho me absorve...
Agradeço as dicas que você me deu sobre a HTPC (hora de trabalho pedagógico coletivo). Realmente, elas estão me ajudando bastante a organizar as reuniões, assim como a bibliografia que você sugeriu.
          No momento, estou bastante preocupada com o grande número de notas vermelhas que algumas disciplinas apresentaram no último Conselho Bimestral. Entre tantos casos que discutimos, o do professor de História da 8ª  série me chamou muito a atenção, principalmente porque ele é considerado, por seus colegas, um profissional sério e comprometido, que está sempre muito em dia com as discussões feitas em sua área. No entanto, seus alunos vêm apresentando um índice muito alto de notas vermelhas. Na reunião do Conselho, quando começamos a discutir a 8ª série, o caso de História foi enfocado. O professor dessa disciplina justificou o baixo rendimento de seus alunos, dizendo que a maioria deles não sabe fazer análises e estabelecer relações entre fatos e conceitos, não sabendo sequer resumir ou interpretar textos - coisa que já deveriam ter aprendido em Português – e portanto, que não cabe a ele ensinar, já que deve dar conta do conteúdo programado para a série, o que não é pouco. Nesse momento, a professora de Português, discordando, argumentou que analisar, estabelecer relações, resumir e interpretar devem ser trabalhados em todas as disciplinas, não somente em Português.O professor de História não discutiu o argumento da professora de Português e continuou dizendo que procurava garantir não só a memorização de fatos, mas, e principalmente, o estabelecimento de relações entre diferentes assuntos e conceitos. Colocou que, por estar preocupado com isso, faz questão de apresentar, especialmente nas provas, muitas questões que buscam a análise, a comparação e a extrapolação dos conhecimentos trabalhados. Na semana seguinte a esse Conselho, tivemos Reuniões de Pais e Mestres na escola para avaliação do bimestre. Como sempre faço, estava circulando pelas salas e, ao passar em frente ã sala das 8ª série, encontrei um grupo de pais conversando com o professor de História. Alguns queixavam-se de seu trabalho, dizendo que seus filhos vão indo bem em outras matérias, menos em História, o que os preocupa. Dois ou três chegaram até a dizer que o professor não tem se interessado em entender as dificuldades dos alunos ou em ajudá-los. Ele, por sua vez, enfatizava a importância de sua disciplina para o desenvolvimento, nos alunos, de uma consciência social mais ampla, dizia que aqueles que não conseguiam obter boas notas não se interessavam pela matéria, nem estudavam em casa. Outros pais também se colocaram a seu favor, dizendo que ele faz o que pode: "Basta ver os cadernos dos alunos, cheios de lições feitas em classe!"; "Os alunos que estão indo mal são desinteressados e indisciplinados e, provavelmente, não costumam fazer as tarefas de casa".
           Entretanto, no começo desta semana, alguns dos alunos da 8ª série que estão com notas vermelhas em História também me procuraram para reclamar do professor. Falaram que suas aulas são chatas, que a maioria da classe não participa, que o livro didático é difícil de entender - e as explicações do professor nem sempre ajudam a entendê-lo - e que as provas são fogo! As perguntas exigem informações nem sempre trabalhadas em sala de aula. Alguns deles afirmaram, inclusive, que "racharam" de estudar para as provas, mas que, apesar de se sentirem preparados, as perguntas foram tão difíceis que não conseguiram ir bem. Eu fiquei muito "encucada", preocupada com essa quantidade de queixas vindas, ao mesmo tempo, de lugares diferentes... Cheguei, até mesmo, a discutir essas coisas com meu marido... Ele falou que a escola é assim mesmo: o prêmio vai para quem se esforça... E que isso não precisava me deixar tão preocupada...
           Resolvi, então, pedir os cadernos destes alunos para dar uma olhada. Observando as atividades, percebi que eram questionários com respostas transcritas do livro didático, exigindo a localização de informações - e não uma reflexão decorrente da análise ou comparação entre os fatos e os conceitos trabalhados -, e que não havia qualquer indício de correção individual ou coletiva. Ao olhar as provas, coladas no caderno, percebi que elas continham perguntas abertas que, exigindo o estabelecimento de relações entre fatos, conceitos e dados da realidade, davam margem à inúmeras interpretações e respostas, o que tornava a avaliação muito subjetiva. Como o professor pretende que os alunos possam responder tais questões se as habilidades necessárias para respondê-las não são trabalhadas regularmente? Estes acontecimentos têm me feito pensar: Por que será que é tão difícil aceitarmos que os resultados obtidos por nossos alunos dependem, em boa parte, do trabalho que desenvolvemos em sala de aula? Como devo encaminhar essa questão? Afinal, ela é tão delicada, envolve tantas coisas, tantas crenças sobre a avaliação ("A nota vermelha" é um fantasma que mora no armário de muita gente!!!). Você tem alguma dica, algum texto para me indicar? Você não acha que isso dá discussão para "um ano" de HTPC?
Um grande abraço,
Clarice
 ( Texto retirado da plataforma Escola de Gestores - sala ambiente 05 - Avaliação escolar).
                   
ü  6º Atividade
Breve explanação sobre Recuperação através de slide.


ü  7º Atividade
Breve explanação sobre rendimento escolar do 1º bimestre.

AVALIAÇÃO

ü Avaliação escrita.     

Algumas fotos:          


Cantinho especial pra nossos professores

mesinha de doces e mimos.

Mesa preparada para recepcioná-los

Abertura do encontro com a nossa gestora.













2 comentários:

Edilene Gomes disse...

Encontro pedagógico para discutir temas relevantes para a comunidade escolar"AVALIAÇÃO". Além de reunir os professores para debater, discutir e trocar ideias.

Taina Clavia disse...

Liderança é o processo de conduzir um grupo de pessoas, transformando-o numa equipe que gera resultados. Encontro pedagógico muito bem conduzido, parabéns a equipe...